Quarta-feira,
23 de julho, houve a Celebração de encerramento com o
rito de Envio no Centro Cultural Missionário da Terceira “Formação
Missionária para seminaristas”. São 39 participantes
de 23 Arquidioceses/Dioceses/Prelazias e de duas Congregações
missionárias de diversos Regionais do Brasil.
O conteúdo da Formação tratou dos assuntos relacionados
a missionariedade, como: Teologia da missão por Irmã Inês
Costalunga, professora do ITESP; Caminhada social na sua dimensão
missionária por três assessores da CNBB: professor Sérgio
Coutinho, Irmã Delci Franzen e Pe. Ari Antônio dos Reis
e o secretário nacional do CIMI, Eden Magalhães; Caminhada
missionária da Igreja da América Latina por Padre Sávio
Corinaldesi, sx, secretário nacional da Obra de São Pedro
Apóstolo e da Pontifícia União Missionária;
Espiritualidade missionária foi assessorada por Pe. Estêvão
Raschietti, sx. e a Igreja na Amazônia por Pe. Zenildo Lima, diretor
do ITESC- Manaus.
Teve também a partilha de experiências pastorais realizadas
pelos seminaristas nos seus respectivos lugares no decorrer do ano pastoral.
Foi vivido uma bela celebração de Vigília de oração
ao torno do tema da missão com os testemunhos dos duas Congregações
missionárias. Aconteceu no final de semana da Formação,
um breve estágio missionário nas paróquias da Arquidiocese
de Brasília e seguida por uma reflexão feita em relação
às três situações encontradas no âmbito
da única missão da Igreja, seja “o cuidado pastoral
da Igreja, a missão ad gentes e a ‘nova evangelização’,
ou ‘reevangelização’ ”(ref. Redemptoris
Missio, no. 33). No final do encontro de Formação, com
a coordenação, Pe. Guido e Cida, foram trabalhados os
elementos necessários e também as pistas de animação
missionária para dar continuidade na animação e
na formação tanto no Seminário quanto nos trabalhos
pastorais.
E no último dia, aconteceu a avaliação e a Celebração
de envio, realizada em nome da Igreja do Brasil, presidida pelo diretor
do Centro Cultural Missionário e a presença de Pe. Daniel
Lagni, diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias.

Depoimentos
Ao terminar os dez
(10) dias de Formação missionária (13 a 23 de julho
de 2008) realizada com a presença de seminaristas de muitas regiões
do Brasil, alguns participantes partilharam as suas primeiras impressões
a respeito da experiência vivida no Centro Cultural Missionária.
Pergunta: Qual a sua impressão
sobre a Formação missionária para seminaristas?
“Penso numa Igreja mais missionária, capaz de ser solidária
com as demais Igrejas do nosso Planeta, pois essa Formação
nos possibilita ver a necessidade do nosso povo e nos abre4 os olhos
para tentar ir mais além, ou seja, em águas mais profundas”.
(Cairo José
Ferreira Gama, Arquidiocese de Manaus, Teologia - 1º ano).
“Em primeiro lugar, gostaria de destacar e parabenizar pela organização
do Encontro. Percebemos o interesse do Centro Cultural Missionário
em que nós, os seminaristas, estejamos envolvidos neste novo
dinamismo da Igreja Latino-Americana. Neste processo, a participação
dos palestrantes foi fundamental. Suas experiências e posturas
firmes nos possibilitam uma visão ampla a cerca da missão”.
(Paulo Roberto Rodrigues Nunes, Diocese de Imperatriz- Teologia - 2º
ano).
“Além de uma excelente formação teológica,
o curso nos dá pistas e luzes que iluminam o caminho missionário
para os quatro cantos do mundo. Isso me faz lembrar os diversos assuntos
abordados no curso, os quais nos impulsionam para a missão, fazendo-nos
levar a Palavra de Deus a todos os povos.
Nesse sentido, percebemos que a graça de Deus se revela quando
refletimos sobre as diferentes realidades missionárias. Os estudos
que fizemos e as experiências pastorais despertaram em nós
o ardor missionário que acendeu as primeiras comunidades cristãs.
Isso só foi possível devido a boa organização
do curso. Graças aos coordenadores, fizemos experiências
edificadoras, sobretudo a partir das pastorais vivenciadas por todos
os participantes, as quais iluminaram todo o nosso curso para a missão.
A seriedade e a rica experiência dos assessores que estiveram
presentes despertaram em nós o desejo de aprofundar os vários
e exigentes aspectos de nossa ação missionária.
Todos eles proporcionaram o florescimento da identidade missionária
que adquirimos pelo batismo, sobretudo, o desejo de nos entregarmos,
pela consagração, a um apostolado missionário em
áreas mais pobres e carentes de evangelizadores.
Por fim, a formação missionária deve ocupar um
lugar central na vida cristã, proporcionando aos povos a alegria
de poder encontrar o verdadeiro caminho de Deus na escuta orante da
Palavra, tornando-se, então, discípulos e missionários
para todos os povos”.
(Odinei de Paiva Magalhães, Congregação da Missão-
Teologia- 2º ano).
Pergunta:
Quais sentimentos está levando consigo?
“Missão mostra a lógica interna da atividade missionária.
Missão significa testemunhar o “Evangelho da graça”
(At. 20,24). No caminho da missão, encontramos pedras e questionamentos.
Essa natureza missionária, segundo o Decreto Ad gentes, faz parte
da normalidade e da razão de ser eclesial. “A Igreja peregrina
é por sua natureza missionária. Pois, ela se origina da
missão do Filho e da missão do Espírito Santo,
segundo o desígnio de Deus Pai” (AG, no.2). Penso que poderíamos
dar continuidade na formação promovendo outros momentos
para aqueles que participaram desta de missiologia”.
(Cairo José).
“Certamente a experiência de reunir seminaristas de várias
regiões do Brasil já é um aspecto da missionariedade.
A troca de experiências e o diálogo é um eixo da
missão. Nesse encontro pudemos ver a beleza e a grandiosidade
do ser missionário. Voltaremos às nossas Igrejas locais
com um novo ardor. Sentimo-nos sementes de uma nova geração,
de uma Igreja que é toda chamada a ser missionária”.
(Paulo Roberto).
“ Com a luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito
Santo, levo comigo o sentimento de alegria por pertencer a uma Igreja
missionária. Isso ficou evidente nos temas estudados e na diversidade
cultural partilhada entre os participantes do curso, o qual, por um
lado, nos representou os desafios enfrentados, por outro, as riquezas
de uma vida missionária na sua totalidade. Tudo o que foi estudado,
refletido e partilhado evoca a estreita relação de Jesus
Cristo com os seus discípulos para a vida do mundo.
A partir do que ouvimos e do que nos foi ensinado, somos motivados a
elaborar um discurso missionário que exija uma grande reflexão
em nossas atitudes. Devemos ser discípulos missionários.
Para isso, é necessário voltar o olhar para o passado
e perceber, ao longo da história, quantas pessoas foram discípulos
missionários para que a Boa Nova chegasse até nós.
Devemos assumir com entusiasmo e alegria a nossa missão, para
anunciarmos o Evangelho a todos os povos com as nossas sinceras motivações
e afeições inspiradas nos primeiros discípulos
de Jesus.
A Igreja peregrina é missionária por natureza, porque
tem sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo,
segundo o desígnio de Deus. Por isso, o impulso missionário
é fruto necessário à vida que a Trindade comunica
aos discípulos. Segundo a história da Igreja, a verdade
do evangelho assumida com sua beleza e com os nossos olhos é
acolhida com fé pela inteligência e coração,
ajudando-nos a contemplar as dimensões do mistério que
provocam nossa admiração e nossa adesão à
missão.
O anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo tem destinação
universal. Sua caridade alcança todas as dimensões da
existência humana, principalmente todos os ambientes onde há
convivência entre os diferentes povos.
A partir do curso, ressalto o que elencou a Conferência de Aparecida,
pois somos “conscientes de que a missão evangelizadora
não pode estar separada da solidariedade com os pobres e sua
promoção integral, e sabendo que existem comunidades eclesiais
que carecem dos meios necessários, é imperativo ajudá-las
imitando as primeiras comunidades cristãs, para que verdadeiramente
se sintam amadas (DA 545)”.
Portanto, ser discípulo missionário não é
luxo, não é tarefa de um grupo seleto. É a conseqüência
necessária de quem faz essa experiência profunda através
da pessoa e da vida de Jesus. É questão de amor. Quem
ama Cristo, o Senhor, dá testemunho dele no meio do mundo, com
gratuidade e humildade. A primeira carta de João dá um
lindo exemplo que deixa transparecer a vitalidade das primeiras comunidades:
“O que nós vimos e ouvimos com os nossos olhos, o que contemplamos,
o que nossas mãos apalparam, a Palavra que é vida (...)
nós agora anunciamos a vocês” (1Jo 1,1-4)”.
(Odinei).
