Amigas,
amigos
Estou
há duas semanas em Timor Leste. Continuo perplexa diante da realidade
com a qual me defronto... Aos poucos, mesmo sem entender a língua,
começo a me familiarizar com este povo. Na próxima quinta-feira
começaremos estudar tétum, com auxílio de uma professora.
Serão sete tardes no início, mas espero poder começar
dizer algumas frases, o que agrada muito as pessoas.
No final da semana que passou, estivemos juntas as irmãs brasileiras,
fazendo um dia de retiro e um de convivência numa casinha à
beira do mar. Um lugar pitoresco. Sem luz, pouca água, pouco
espaço... cozinha ao fogo de chão... Estendemos as redes
e dormimos na varanda do ranchinho-casa... Deitada na minha rede, acordada
desde a madrugada, acompanhei o amanhecer e contemplei o nascer do sol,
os mais lindos que já vi...Fiz fotos maravilhosas...
São muitas as surpresas alegres e tristes que Deus vai me fazendo
a cada dia. Às vezes o coração fica “apertado”.
Não canso de me admirar e me encantar com a resistência
e coragem deste povo. A guerra, a dor, a morte, a destruição,...
os fizeram fortes lutadores, esperançosos, resistentes... Em
toda parte a vida se manifesta de diversas formas: reconstruções,
casas novas, crianças, bodes, búfalos, galinhas, galos
que enchem de canto as madrugadas inteiras, pessoas que falam em voz
alta em línguas incompreensíveis para nós, carros
da ONU, de funcionários do governo, caminhões e microletes
carregados de passageiros, bagagens, animais e produtos para negociar...
As estradas são muito estreitas, cheias de curvas, montanhas,
pedras, abismos... Nunca vi coisa igual. Os motoristas são verdadeiros
artistas. O volante do carro está do lado direito e a “mão”é
contrária...
Estamos no período da seca. A vegetação é
semelhante à do Nordeste. Há muita banana, mamão,
coco, mandioca, café... Aliás o café é muito
gostoso. A base alimentar é o arroz, mas há mandioca,
batata doce, batatinhas, cebola, alho, verduras, galinha da Sadia, da
Perdigão, da Frangosul... Carne de búfalo, de bode, mas
esta não tenho coragem de comer, pois não se sabe se o
bicho foi morto, ou se morreu por algum problema... Aqui não
importa o motivo da morte. Está morto, é para ser comido...
Para quem chega, o mais difícil é comunicar-se com eles.
A melhor linguagem é o sorriso... Disto eles entendem bastante.
Falam o tétum, galóli, indonesiano... alguns também
o inglês e outros o português. A partir de dois mil, português
e tétum foram definidas como línguas oficiais. Portanto,
para nós que chegamos, é urgente aprender tétum,
pois é a língua mais utilizada. Inclusive nas missas e
homilias... Raramente há uma missa em português. Estou
estudando e aos poucos vou ensaiando umas palavras ou frases. Já
sei muito bem dizer: Diak ka lae? = Como vai? Com sorriso alegre as
pessoas respondem: Diak! Bem!
Posso dizer-lhes que estou muito bem. Abraço cada uma com muita
saudade. Estou invocando nossa irmã Maria que certamente de junto
de Deus nos acompanha com muito carinho.
Beijos.
Ir. Ana Fusinato,
"Ad Gentes" junho/julho '08
Timor Leste, 05 de agosto de 2008
