Esse
é um projeto missionário inter-congregacional da Igreja
do Brasil com a Igreja de Timor, convocado e mantido pela CRB/CNBB que
iniciou no ano 2000 e de lá para cá vem caminhando junto
com o povo de Timor, descobrindo, vivendo e partilhando de sua história.
O
primeiro curso de “Formação Ad Gentes” de
2008, realizado entre os dias 15 de junho a 10 de julho, no Centro Cultural
Missionário, contou com 22 missionários e missionárias
que partem em missão para outros países. Destes, três
irmãs seguiram nesta terça-feira, 15 de julho, para o
Timor Leste.
Para Irmã
Ana Fusinato, membro da Congregação das Irmãs Catequistas
Franciscanas, sua maior alegria é realizar um sonho acalentado
durante muito tempo, que se concretiza agora, aos 41 anos de vida religiosa.
“A maior expectativa é entregar minha vida aos amados de
Deus, como enviada por Ele especialmente aos marcados pela dor da guerra
e destruição do país, povo e cultura”. Espera
perceber os sinais de Deus “Sementes do Verbo”, no meio
do povo e com ele resgatar a auto-estima, a alegria de viver, conviver,
lutar e trabalhar pela defesa da própria vida e dignidade.
Segundo
ela, os desafios serão vários: nascer, amar e conviver
em outro país com novo povo e nova cultura. Ser verdadeiramente
irmã, acolher, ser gratuita, estrangeira, “menor”,
colocar-se à margem como foi Jesus Cristo, como queriam Clara
e Francisco de Assis, inspiradores do carisma que assumiu como Irmã
Catequista Franciscana.
O
trabalho a ser realizado será junto ao povo, conforme as exigências
locais, atuando a um grupo de pessoas com necessidades especiais (deficiências)
e a um Seminário Teológico Diocesano. Seu desejo de sair
do país foi alimentado ao longo dos anos. Ela acredita que este
é o momento certo de sair e doar sua vida num novo país,
novo povo e nova cultura. Em princípio sua missão em Timor
Leste durará três anos, “porém como entrega
pessoal, será para sempre”, afirma.
Já
para Irmã Ana Christina, membro da Congregação
das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus,
a alegria em participar da Missão no Timor Leste é muito
grande. É ter uma participação efetiva dentro do
projeto do Reino, concretizando o respeito, o cuidado e a solidariedade
aos que mais necessitam.
Seu trabalho será junto à Pastoral da criança e
também atividades extra-escolares como: a música, esporte,
ajudando o povo a interagir em sua história, a partir de sua
própria potencialidade.
Irmã
Regina Celi, Missionária de Jesus Crucificado, que já
esteve por dez anos em missão em Nicarágua, sonha em partilhar
um pouco de sua vida e fé com estes nossos irmãos que
passaram por situações tão difíceis e desesperadoras
e, ao mesmo tempo aprender com eles de sua fé, sua cultura e
força interior que os levou a resistir e lutar pela dignidade
como povo. Ela acredita que a experiência de uma missão
inter- congregacional vai ser muito rica e lhe ajudará a amadurecer
como pessoa e como religiosa.
Com
relação aos desafios a serem enfrentados, em uma ótica
pessoal, necessita a adaptação a uma nova realidade e
cultura e aprendizagem da língua local. Já numa ótica
interpessoal, Irmã Celi expõe a atual situação
do país: “é um país saindo de um período
de vinte e cinco anos de luta e resistência à dominação
da Indonésia, passando por uma guerra civil. Eles enfrentam um
desafio de reconstrução tanto física como do tecido
social. Para isso é muito importante trabalhos de reconciliação
e perdão entre o próprio povo”.
Num
primeiro momento, o trabalho a ser realizado será o de acompanhar
as irmãs que já estão no Timor Leste nas visitas
às famílias e aldeias para escutá-las, assim como
começar a conhecer a história e a cultura timorense. Ajudará
também no atendimento à Pastoral da criança; assim
que conseguir aprender o Tétum (língua nativa) vai colaborar
numa escola de ensino médio, assumida pela Igreja Católica,
buscando uma educação sem violência.