400 anos da morte de Matteo Ricci
em 11/05/2010

Nos passos do grande missionário do Oriente: São Francisco Xavier, Matteo Ricci que morreu em 1610, foi o primeiro na história chinesa, a quem o imperador concedeu um terreno para que, estrangeiro, pudesse ser sepultado em solo chinês.
Matteo Ricci nasceu no ano de 1552, em Macerata – localidade situada nos Estados Pontifícios, a Itália atual –, Matteo Ricci partiu para o Oriente ainda como escolástico, no dia 18 de maio de 1577, com a bênção do Papa Gregório XIII e, com mais 14 companheiros, foi para as missões com o desejo de chegar à China, em cuja entrada havia morrido Francisco Xavier, dois meses depois do nascimento de Matteo Ricci.
Foi ordenado sacerdote em 1580, em Goa, situada no extremo meridional da costa do Oceano Índico. Em 1583, instalou-se na cidade de Zhaoqing, província de Guangdong, depois de ter suportado 6 anos de peripécias e dificuldades. Lá se dedicou a um estudo intenso do idioma.
Em Zhaoqing, Ricci elaborou um mapa do mundo baseado nos conhecimentos cartográficos europeus, dando a conhecer aos habitantes do lugar que havia um mundo que ia além da sua muralha. Era a primeira vez em que a China tinha um mapa que incluía os territórios da Europa, África e América.
Ricci trazia consigo os conhecimentos dos cartógrafos da sua época, algo absolutamente novo para os chineses e pouco a pouco, foi ganhando o povo chinês e conseguiu entrar nesta cultura milenar estimado como um verdadeiro Mandarim. Também traduziu livros de filosofia e matemática para o chinês.
Em carta a seu irmão Antonio dizia “Penso em terminar aqui a minha vida... Muitos se tornaram cristãos, muitos vêm à missa, confessam-se e comungam nas principais festas e escutam com alegria a Palavra de Deus”.
Entrando em sua linguagem, Ricci trabalhou até o esgotamento pela evangelização e pelo diálogo cultural na China. Escreveu o catecismo em chinês e publicou sua obra “Tratado sobre a amizade”. Também traduziu os primeiros livros de geometria de Euclides, em colaboração com seu amigo Xu Guangqi.
Era chamado de “o homem estranho”, devido aos seus traços físicos europeus, à sua cultura diferente e ao fato de que vivia o voto de celibato. Morreu em Pequim, no dia 11 de maio de 1610. Seu túmulo ainda jaz lá. Sua causa de beatificação está aberta desde 1983.
O Papa Bento XVI em uma mensagem enviada à diocese de Macerata – lugar de nascimento de Matteo Ricci – por ocasião da celebração dos 400 anos de sua morte, disse:
“Considerando sua intensa atividade científica e espiritual, ficamos surpreendidos positivamente diante da inovadora e peculiar capacidade que ele teve de aproximar-se, com pleno respeito, das tradições culturais e espirituais chinesas em sua totalidade. Ele se torna atual neste tempo de globalização e diálogo cultural, e foi a partir destas convicções que ele, como já haviam feito os padres da Igreja no encontro do Evangelho com a cultura greco-romana, instaurou sua visão de futuro, seu trabalho de inculturação do cristianismo na China, buscando um diálogo constante com os habitantes desse país”.
(fonte: http:www.jesuitas.com.br)
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