Uma espiritualidade missionaria construida na fraternidade
em 07/09/2010

Neste primeiro dia de trabalhos da Semana Nacional sobre a Missão Continental, que acontece no CCM de 5 a 11 de setembro, Pe. Sérgio Bradanini, missionário do PIME, apresentou os "Elementos Bíblicos da Espiritualidade Missionária". A missão tem uma direção: de dentro para fora, isto é, a Missão é "ad omnes gentes". Para isto, dissertou Pe. Sérgio que é fundamental ter presente o modelo da relação de Jesus para com os seus discípulos, que envolve a totalidade da vida, feita nas relações humanas.
É uma espiritualidade que exige a concentração de todas as forças com Deus que "tudo canta e explode de alegria" (Salmo 65). Esta experiência espiritual realiza-se na comunidade onde a pessoa deve estar inserida e envolvida numa longa caminhada que se traduz no engajamento crescente com Jesus e o Seu Reino.
A espiritualidade missionária cresce na relação do Mestre com o Discípulo, não fundamentada nos ensinamentos, mas na experiência do relacionamento humano, contínuo e crescente que geram a fraternidade, a vida comunitária num "sentar-se comum à mesa do Reino". Eis o compromisso da missão: viver deste espírito, relatar a experiência da fraternidade, abastecida pela palavra de Deus a fim de alcançar até as extremidades da terra, um mundo sem fronteiras. Reformular nossa missão, dilatar a experiência da fraternidade, derrubando barreiras onde houver.
A fraternidade é uma dimensão extremamente exigente: colocar a vida ao serviço dos outros para sermos livres. Fraternidade: é o mais alto grau de liberdade, "através da ágape, servir uns aos outros". Entretanto, afirmou Pe. Sérgio "nós somos feitos de carne e osso, de fraquezas, limites, dons, onde a missão é uma grande paixão e participar da paixão de Deus pela humanidade sofredora e prenha de esperança, na qual, nossos novos âmbitos da experiência missionária, dão-se na docilidade e na humildade, na habilidade e na coragem de apanhar até as ultimas conseqüências, mas de ir até o fim".
Os Elementos básicos da espiritualidade missionária passam pela relação transparente e serena com Deus. Deus é Deus da relação apresentada no Livro da Torah: O tema central é o da Aliança, vista como pacto renovado constantemente na comunhão de vida. O símbolo é o anel que tem forma circular. Deus toma a iniciativa, chama o povo a "viver dentro deste circulo" feito na comunhão de vida.
Em segundo lugar, os Profetas atuam quando a experiência espiritual se torna vazia, eles levantam a voz para manter viva a chama da fraternidade e da justiça. Manter viva "a consciência critica, pois nunca morreram velhos, mas de morte violenta. Pela palavra vivem e pela palavra morrem" - afirmou Pe. Sérgio. O terceiro aspecto foi uma olhada sobre os livros da Sabedoria, de Jó e do Cântico dos Cânticos, na qual a Bíblia não é patrimônio de Israel, mas da humanidade. JESUS, na centralidade da espiritualidade missionária, é a Luz que se abre ao futuro. Faz o anúncio da chegada do Reino de Deus. Esta é a Boa Notícia. Convida à "Conversão" mudando de visão e de mentalidade. Faz o chamado e escolhe os seus discípulos, para conviver com ele; pra serem enviados a pregar, comer o pão juntos; deu-lhes autoridade para expulsar os demônios, contra o mal. Onde se constitui uma comunidade que vive a fraternidade, o mal não tem vez. Enviou-os em Missão para cuidar dos doentes (Mc 10,8), ressuscitar os mortos, isto é, lá onde se constitui relações humanas fraternas, o mal não tem vez. Em fim, Jesus é homem de fé e de oração e mostra que a missão se realiza no "hoje", pois sua vida doada a todos a partir dos mais necessitados para forma a fraternidade.
Para finalizar Pe. Sérgio nos apresentou o apóstolo Paulo que vive segundo o espírito de Jesus Cristo. Ele tem consciência de ser colaborador de Deus e não para dividir. Tem em sua mente o mundo dos gentios e carrega a consciência clara de sua pequenez: "Quando sou fraco é que sou forte!". Para isto trabalhava com suas mãos, tecedor de tendas, depois anuncia. João, o Evangelista, destacou sua missão muito polêmica contra o ambiente judaico, anunciando que Jesus salva. Mostra o divino no humano. É o verbo que salva na fragilidade. Ele se fez gente como nós, menos no pecado, para que nós nos tornemos mais divinos.
Texto: Pe. Mário de Carli - IMC
Foto: Pe. José altevir da Silva, CSSp
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Acesso Restrito
Domingo, 5 de fevereiro
5º do Tempo Comum
Águeda
Leituras: Jó 7,1-7; Sl 147; 1Cor 9,16-19.22-23; Mc 1,29-39
1977: Guarda Somozista destrói a comunidade contemplativa de Solentiname
1988: Francisco Domingos Ramos, lider sindical em Pancas, Brasil, é assassinado a mando dos fazendeiros